Drácula - Tod Browning x George Melford - 1931



Em 1931 foram lançados muitos filmes que se tornaram clássicos do cinema mundial.

Entre outros tivemos no Brasil Limite de Mário Peixoto, Chaplin lançou City Lights, na Alemanha Fritz Lang estreou M o vampiro de dusseldorf, James Whale estréia com o clássico Frankenstein.

Mas dois filmes de 1931, por uma série de particularidades, são realmente especiais.

Tem o mesmo título: "Dracula", foram filmados no mesmo estúdio e praticamente ao mesmo tempo, sendo um feito de dia e outro a noite. O roteiro é o mesmo, assim como o figurino é bem parecido.

Mas as semelhanças acabam por aí, e os filmes que tinham tudo para parecer uma mera cópia acabam ficando interessantemente diferentes.






O primeiro é falado originalmente em inglês e o segundo em espanhol. Essa foi a solução encontrada para alcançar públicos de línguas diferentes no tempo que o som ainda era uma novidade e dublagem ou legenda ainda nem sonhavam em existir.

O elenco também é outra diferença marcante entre os filmes. Na versão falada em inglês, o Bela Lugosi faz o papel do Conde de forma magistral, na versão em espanhol Carlos Villar faz o vampiro, e embora seja uma excelente interpretação, em alguns momentos sua expressão é forçada, parecendo imitar o Lugosi. Isso o deixa bastante caricato, sem contudo desmerecer o personagem ou o ator, pois copiar (bem) um mestre do terror dá valor ao filme.



As imagens desse post foram retiradas dos filmes - sempre a superior é do Tod Browning e a inferior de George Melford - para facilitar a comparação. Mas legal mesmo é assistir os dois comparando as cenas.

Fica claro que foram usados os mesmos cenários. Pessoalmente prefiro a parte visual da versão em espanhol.


O filme de Melford tem uma duração de 1h39m. O de Browning é bem menor, tendo 1h14m. O ritmo da versão em espanhol é mais lento, tendo muitas cenas com a duração um pouco maior, e acaba ficando com 25 minutos a mais no total.

Tod Browning teve um orçamento de U$ 355.000 enquanto George Melford teve U$ 66.000. Essa enorme diferença de orçamento não se reflete de forma proporcional no resultado final, devendo-se considerar no entanto que boa parte do orçamento da versão em inglês foi usada na contratação do elenco.






Bela Lugosi e Carlos Villar (cujo nome correto era Carlos Villarías) foram dois grandes atores, tendo o primeiro participado de 113 filmes entre 1917 e 1959, ano em que morreu durante as gravações de Plan 9 From Outer Space  dirigido por Ed Wood.

O espanhol Carlos Villarías participou de 87 filmes entre 1930 e 1953, incluindo uma versão mexicana da excelente história várias vezes filmada El hombre de la máscara de hierro que não consigo encontrar em nenhum lugar mas disseram-me que é muito bom.
 
Já assisti com Villarías a co-produção anglo-espanhola Tres historias de amor de 1953, que é muito legal, baseada no clássico Decamerão de Boccaccio.






Um comentário:

  1. Só assisti à versão em inglês, mas vou conferir em espanhol. Acho difícil alguém conseguir superar Bela Lugosi em sua interpretação, tanto é que este acabou sendo o principal papel de sua carreira.
    Abraços!

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