Quando George Pal anunciou a
produção de
Destination Moon além de criar grande expectativa no público chamou
também a atenção do produtor independente Robert L. Lippert que decidiu pegar
carona na propaganda e lançar Rocketship X-M, mas uma ação judicial obrigou
Lippert a colocar a frase “Não é Destination Moon” no material de divulgação da
época. Isso não impediu que ele alcançasse seu objetivo, pois gastou U$ 94.000 e
lançou o filme quase três semanas antes de Destination Moon que custou em torno
de U$ 600.000.
O nível da produção e fidelidade
científica de
Destination Moon é infinitamente superior a Rocketship XM, mas o
filme tem seu charme. Especialmente para quem gosta de ficção B. Aliás, o
sucesso de um filme em nada se relaciona com sua precisão científica. Ainda que
o tema seja ficção científica.
Mesmo nos
EUA a obra foi
apresentada nos cinemas com diversos outros nomes como “None Came Back”, “Rocket
to the Moon” e “Rocketship Expedition Moon” até ficar definido Rocketship X-M
como definitivo.

Conta a história do lançamento do
primeiro vôo à lua. Mas no caminho uma chuva de meteoritos modifica a rota do
foguete que acaba indo parar no planeta Marte. A tripulação aterrissa no
planeta e descobre vestígios de uma civilização extinta. Tudo indica que foi
destruída por uma guerra nuclear, pois os níveis de radiação são muito altos. Ainda
existem sobreviventes que vivem nas cavernas.
Os marcianos atacam a tripulação
com paus e pedras e alguns astronautas são mortos. Os que sobrevivem voltam até
o foguete para retornar a Terra. Erros nos cálculos acabam comprometendo a
segurança do retorno por possível falta de combustível.
Certamente foi o primeiro filme a
alertar sobre as conseqüências de uma guerra nuclear.
Olhando por uma perspectiva
moderna Rocketship XM é uma
ficção científica que acaba em comédia involuntária.
Alguns exemplos de erros que tornam o filme engraçado estão os trajes espaciais
que são jaquetas de couro e gravata – isso mesmo, os astronautas usam gravatas.

Divertido também o tempo que os astronautas esperam antes de embarcar no
foguete, pois quinze minutos antes da decolagem eles estão numa coletiva com a imprensa
e quando embarcam no foguete ficam surpresos por descobrir que só tem três
minutos para a decolagem. Tem ainda o fato da ausência de gravidade só afetar
alguns objetos (gaita, casaco) mas não outros (sanduíche, papéis, cabelos
longos, laços) e curiosamente durante todo o filme os medidores de combustível
permanecerem sempre no "vazio".
As seqüências em Marte são
filmadas em "sépia", que ficou muito bacana, dando uma tonalidade avermelhada
ao planeta e tudo que está nele.
Merece destaque o fato de Rocketship
X-M ter um final trágico. Esse não é o tipo de final típico da
década de 1950.
Deixa uma clara mensagem de que apesar das eventuais tragédias a ciência deve
continuar seu caminho.
O filme é tão machista que em alguns
trechos os diálogos parecem piada. Por exemplo, no diálogo entre Floyd e a Dra.
Lisa, onde ele pergunta: “Estive pensando, como é que uma menina como você
entra em uma coisa como esta” – referindo-se ao fato dela ser uma cientista, ao
que ela responde: “Eu suponho que você pensa que as mulheres só devem cozinhar,
costurar e ter filhos.” O coronel retruca: “Não é o suficiente?” – aos olhos de
hoje pode até parecer estranho mas acho que naquela época era muito natural essa
visão da mulher.
Elenco
Lloyd Bridges ... Coronel Floyd Graham
Osa Massen ... Dra. Lisa Van Horn
John Emery ... Dr. Karl Eckstrom
Noah Beery Jr. ... Major William
Corrigan
Hugh O'Brian ... Harry Chamberlain
Morris Ankrum ... Dr. Ralph
Fleming

Patrick Aherne ... Reporter #1
Sherry Moreland ... Garota
marciana
John Dutra ... Físico
Kathy Marlowe ... Reporter #2
James Conaty ... Médico
Sam Harris ... Reporter na sala
de imprensa
Judd Holdren ... Reporter #3
Stuart Holmes ... Reporter #4
Bert Stevens ... Reporter #5
O diretor de Rocketship X-M, Kurt
Neumann, nasceu na Alemanha e dirigiu mais de 60 filmes. Em
1945 produziu e
dirigiu alguns episódios de Tarzan. Infelizmente morreu um mês depois da
estréia daquele que foi seu maior sucesso de bilheteria, o filme “The Fly” no
Brasil chamado de “A mosca da cabeça branca” de 1958, cujo remake “A mosca”,
feito décadas depois, também teve grande sucesso.
Os protagonistas de Rocketship
X-M fizeram muitos outros filmes de sucesso. Lloyd Bridges (Coronel Floyd) participou
de mais de 200 filmes, com destaque para as comédias Top Gang, Querida estiquei
o bebê, Apertem os cintos o piloto sumiu, e várias séries para a TV como
Battlestar Galáctica em sua primeira versão e Sea Hunt. É pai dos atores Jeff
Bridges (Tron, Homem de Ferro) e Beau Bridges (Stargate, Bonanza).
Osa Massen atuou em várias séries
para a tv no período de 1954 até 1962.
John Emery também atuou em vários
filmes e séries para a TV até o ano de sua morte, 1964.
Noah Beery Jr participou de mais
de 160 filmes e seriados, entre eles Magnum, A ilha da fantasia e Bonanza e
filmes como “Rio Vermelho”.
Hugh O'Brian fez 111 participações em filmes e seriados para
a TV,
Morris Ankrum é um recordista. Participou de mais de 260 prduções
para a tv e cinema, sendo muitos de ficção científica. Esteve ativo até 1964, o
ano de sua morte.
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